Você pode sair das dívidas

Conheça a história do empresário que se livrou de uma dívida de R$ 200 mil e veja dicas de especialistas para controlar as despesas.

Quem observa o semblante tranquilo do empresário Samuel Fujimoto, de 50 anos, (foto abaixo) não imagina que ele já teve uma dívida de mais de R$ 200 mil. Os problemas financeiros começaram após um divórcio traumático, no final de 1998. “Eu tinha um ódio terrível da minha ex-mulher, não pensava nas dívidas. Tinha dívida no cartão de crédito e apartamento financiado”, conta. A falta de planejamento fez as contas em atraso se multiplicarem.

Sem saber o que fazer, Samuel começou a participar de reuniões da Universal na zona sul de São Paulo. O objetivo dele era encontrar paz e uma saída para seus problemas. “Vim para as reuniões da Universal preocupado em ter um encontro com Deus e resolver minha vida sentimental”, relata. Lá, ele diz que aprendeu a se livrar das mágoas e conheceu a esposa, Luciana. As dívidas, entretanto, continuavam a crescer.

Aperto nos gastos

Na época, início dos anos 2000, Samuel era funcionário de um banco público. Apesar da garantia de salário no fim do mês, ele pediu demissão. “Eu tinha acabado de ganhar uma promoção, mas recebi uma direção diferente vinda de Deus e abri mão de tudo. Meus colegas disseram que eu tinha ficado louco, mas minha esposa me apoiou” relembra.

Samuel ficou dois meses sem trabalhar. No período, ele e a esposa saíram do aluguel e foram viver de favor na casa dos pais dele para economizar nas despesas. Eles também adaptaram gastos e cortaram hábitos, como comer fora e comprar roupas sem necessidade. “Economizamos ao máximo, tínhamos uma vida contadinha, sem extrapolar”, diz. 

Recomeço

Em seguida, Samuel passou a atuar na área de recarga de cartuchos de impressora. O negócio começou em um cômodo na residência dos pais dele. “Deus me deu a ideia de mexer com tinta. Todos meus parentes falaram que eu tinha endoidado de vez e tive que aguentar a humilhação. Contudo, em um mês, fechei um contrato grande com um órgão público”, revela. 

Dívidas quitadas

Com dinheiro na mão, a primeira atitude do empresário foi planejar o orçamento doméstico. Depois, ele procurou bancos e credores para renegociar as dívidas. “Liguei, fui negociando, pedindo desconto. Consegui dinheiro para pagar as dívidas à vista, com desconto. Minha dica é negociar sempre. Você pode conseguir desconto de até 70%”, ensina.

A empresa continuou a crescer. “Comecei a participar das palestras do Congresso para o Sucesso. Com a orientação de Deus e muito trabalho, conseguimos ampliar o negócio, comprar a casa dos nossos sonhos e carros”, comemora. Hoje, o empresário atua na área de informática com aluguel de impressoras, vendas de notebooks e manutenção. “Estamos com um prédio próprio de três andares e vários funcionários. Só tenho a agradecer o que Deus tem feito em nossa vida”, finaliza ele, que tem uma filha de 12 anos e um filho de 8 anos. 

Sem planejamento

O especialista em finanças pessoais Ricardo Assaf explica que a falta de planejamento é um dos principais problemas de quem tem dívidas. “Muitas pessoas não fazem as contas de quanto ganham e de quanto podem gastar. Muitas vezes, a pessoa se empolga, compra coisas caras e faz parcelamentos que não cabem na renda dela”, alerta ele, que é fundador da Empresta Capital e presidente da Associação Brasileira das Sociedades de Microcrédito (ABSCM).

A economista e consultora do Programa Vida Investe, da Funcesp, Silvia Baum explica que a situação econômica do Brasil também traz novos desafios, como o aumento do desemprego, a inflação alta dos últimos dois anos e os juros elevados. “A inflação por si só é um baita inimigo porque o poder de compra das pessoas diminui. As coisas ficam mais caras e muitas vezes a renda familiar cai porque alguém perde o emprego. Muitos não conseguem se controlar e acabam se endividando”, argumenta.

Diante desse cenário, a especialista orienta que todos precisam analisar a própria renda e se adaptar. Mas não adianta entrar em desespero. “Não tem receita única. Cada pessoa vai encontrar a sua forma. Mas tem que ter uma ideia geral do orçamento e de quais são os grandes drenos de suas contas. Não é fácil, mas é preciso abrir mão de algumas coisas, cortar gastos e substituir itens.”

Veja abaixo mais dicas de Ricardo Assaf e Silvia Baum para organizar as contas.

- Organize o orçamento. Anote sua renda mensal e todos os seus gastos. Comece pelos gastos fixos e mais altos, como a parcela do apartamento, a escola do filho, etc.

- Faça um mapa das dívidas. Descubra quanto deve, para quem deve, quais são os juros e prazos de vencimento de cada dívida

- Repense seu consumo. Analise o que pode ser cortado. Troque itens mais caros por mais baratos. Evite compras por impulso em liquidações

- Envolva a família. Peça apoio de familiares para reorganizar o orçamento doméstico, cortar despesas e economizar

- Construa uma estratégia. Comece a pagar as dívidas com juros mais altos, como as do cartão de crédito e do cheque especial. Uma opção é trocar a dívida do cartão por um empréstimo pessoal com juros mais baixos

- Renegocie suas dívidas. Peça desconto, juros menores e parcelas menores para cada credor. Faça isso com bancos, lojas de eletrodoméstico e de móveis, etc.

- Mantenha o foco. Use o décimo terceiro salário, horas extras e demais rendas para quitar dívidas. Tente não gastar tudo o que ganha

- Faça uma poupança. Tente guardar uma parte do dinheiro que você ganha todo mês. Esse dinheiro poderá ser usado em situações de emergência

Fontes: Silvia Baum, economista e consultora do Programa Vida Investe, da Funcesp; e Ricardo Assaf, fundador da Empresta Capital e presidente da Associação Brasileira das Sociedades de Microcrédito (ABSCM).

Fonte: ABSCM